Conferência Latino-Americana de Negócios 2015: América Latina: Liderança, Sociedade e Globalização

Boa tarde!

Quero começar agradecendo a diretora Judy Olian e a Escola de Administração da UCLA Anderson e aos organizadores da LBA por me convidarem para falar sobre as relações bilaterais entre o Brasil e os Estados Unidos e juntar-me a um grupo de palestrantes tão ilustres nesta conferência sobre a “América Latina: Liderança, Sociedade e Globalização”.

Na semana passada visitei São Francisco, o Vale do Silício, San Diego e Los Angeles e, ao olhar para a plateia desta tarde, vejo muitos daqueles que compartilharam comigo suas próprias experiências ou aspirações de trabalhar e fazer negócios no Brasil. Gostaria de agradecer a todos por compartilharem seus interesses e os desafios de trabalhar no Brasil.

Os temas amplos das nossas relações bilaterais com o Brasil podem ser formulados em três tópicos: (1) fazer avançar iniciativas que ampliarão a prosperidade e o crescimento econômico nos dois países, (2) promover o engajamento entre as pessoas para aumentar o entendimento entre nossos cidadãos e (3) fomentar parcerias entre nossos vários atores para fortalecer as relações bilaterais.

Permitam-me começar enfatizando por que é importante considerar o Brasil ao buscar parceiros.

Brasil no contexto latino-americano e global

  • Sétima maior economia do mundo e segunda maior do Hemisfério Ocidental.
  • O país tem metade da população da América do Sul. É uma população bastante heterogênea e, assim, muito semelhante à dos EUA (recebeu grandes migrações de Itália, Japão, África e Líbano).
  • Importante destino de imigração (Haiti, Síria, América do Sul e China).
  • Maior população afrodescendente do mundo fora da África (atrás somente da Nigéria).
  • Líder mundial em produção agrícola – Brasil e Estados Unidos são os dois principais produtores mundiais de alimentos e, portanto, têm grande responsabilidade pela segurança alimentar do mundo (soja, frango, carne bovina, carne de porco, etc.).
  • O Brasil está entre os cinco maiores destinos globais de IED (US$ 62 – 65 bilhões por ano).
  • O Brasil é a primeira nação a alcançar uma posição de liderança global totalmente por meio do “poder brando”.

Essas são características positivas que tornam o Brasil um parceiro estratégico preferencial dos Estados Unidos. MAS… o momento é desafiador…

A presidente Dilma Rousseff iniciou seu segundo governo em janeiro de 2015 e tem um ano complicado pela frente.

  • O crescimento econômico do país diminuiu praticamente a zero em 2015, e a inflação está acima da meta (+ 7,0%).
  • A presidente Dilma nomeou uma equipe econômica favorável ao mercado e que foi muito bem recebida. Essa equipe vem implementando uma série de medidas de austeridade fiscal que vão exigir “apertar os cintos” e devem provocar a reação de determinados setores.
  • A nova e ampliada classe média tem exigido melhores serviços públicos e está frustrada com a qualidade e a quantidade dos serviços oferecidos, como transporte, educação e saúde.
  • O período pós-eleitoral tem sido marcado por crescentes manobras políticas e uma coalizão governamental menos coesa. Obter apoio para a agenda da presidente será um desafio.
  • A total extensão do impacto do escândalo de corrupção da Petrobras (processo da Operação “Lava-Jato”) sobre a economia e a forma como os projetos de infraestrutura são implementados ainda não estão claras.
  • O país também está sendo atingido pela escassez de energia e água causada por uma seca no Sudeste do país, região essencial para o crescimento.
  • E… os preços baixos do petróleo e os preços mais baixos das commodities terão impacto na economia.

Relações Brasil-EUA: uma agenda ampla

As revelações da NSA reduziram a intensidade de engajamento entre os governos em 2014 de forma significativa e adiaram a visita de Estado. Essa visita tinha o objetivo de colocar a plataforma do nosso engajamento estratégico em um patamar mais elevado e produzir uma série de engajamentos de alto nível que cobrissem uma agenda robusta.

Por ocasião da cerimônia de posse da presidente Dilma em 1o de janeiro, o vice-presidente Biden se reuniu com a presidente e ela pediu para que colocássemos nossa relação de novo nos trilhos e retomássemos o engajamento no nível de políticas, especialmente em (1) comércio, negócios e investimentos, (2) inovações, ciência e tecnologia e (3) indústria da defesa.

Assim, tanto o governo dos EUA como o governo do Brasil estão retomando o engajamento no âmbito de políticas com vistas a alcançar resultados de curto prazo que possam conduzir a iniciativas de maior duração. No período tenso de nossas relações, o engajamento no âmbito de políticas continuou por meio de atividades entre as pessoas, como intercâmbios educacionais, viagens entre nossos dois países e relações comerciais.

Os governos podem facilitar as relações, mas as pessoas continuam a se envolver por conta própria. Vimos isso acontecer em grande escala no Brasil. Nossos dois países já estão muito conectados porque compartilhamos os mesmos valores democráticos e a mesma paixão por inovações tecnológicas.

Educação

  • Programa Ciência sem Fronteiras (CsF) e 100 Mil Unidos pelas Américas.
  • Os EUA receberam até agora 26 mil estudantes brasileiros – mais do que qualquer país anfitrião.
  • Continuamos a contar com o apoio de muitas empresas americanas que colaboram com programas como estágios/Mais Unidos/Jovens Embaixadores.
  • Temos atualmente 4 mil estudantes dos EUA estudando no Brasil e estamos trabalhando para esse número crescer.
  • Os laços institucionais entre as universidades brasileiras e americanas estão aumentando.
  • A UCLA Anderson tem um novo MBA internacional voltado para o Brasil e a América Latina.

Ciência, tecnologia e inovação

  • O Brasil e a vizinha Argentina têm fortes setores de ciência e tecnologia, com os quais as organizações americanas trabalham em estreita colaboração. Isso ficou evidenciado com a visita do diretor da Nasa, Charles Bolden, a ambos os países no final de fevereiro.
  • O Programa Ciência sem Fronteiras do Brasil é um agente de mudanças destinado a impulsionar o desenvolvimento da ciência e da tecnologia.
  • Mais de 70 empresas americanas criaram centros de pesquisa e desenvolvimento no Brasil centrados em diferentes áreas de pesquisa, como energia, petróleo e gás, saúde, etc.

Expansão do turismo

  • Outro forte indício da colaboração entre as pessoas é o crescimento do turismo em ambas as direções.
  • O Brasil é atualmente responsável por mais de 2 milhões de turistas que gastam US$ 9 bilhões nos Estados Unidos. Vemos uma classe média ampliada ansiosa para viajar para os EUA.
  • A Embaixada dos EUA processou 1,3 milhão de vistos em 2014 com um índice aprovação de 96%.
  • Vimos os EUA serem um dos maiores públicos da bem-sucedida Copa do Mundo em junho de 2014.
  • O rápido crescimento do número de voos entre o Brasil e os EUA aumenta a conectividade.
  • Agora vemos a Califórnia como segundo destino mais importante depois da Flórida.

Olimpíadas

  • O Brasil sediará os Jogos Olímpicos de Verão de 2016 no Rio de Janeiro. A Embaixada dos EUA está trabalhando ativamente com empresas americanas para identificar as oportunidades de negócios apresentadas pelos Jogos Rio 2016 e pelos Jogos Paraolímpicos. Empresas americanas estão participando dos preparativos para os jogos, e esperamos ver mais trabalho relacionado com a segurança e proteção dos mesmos.
  • Esperamos 10.500 atletas de 205 países em 42 esportes. Duzentos mil americanos visitarão o Rio durante as Olimpíadas, e estamos colaborando com as autoridades das Olimpíadas de forma ampla.

Comércio e investimentos

  • O Brasil é o oitavo maior mercado exportador para os EUA, com mais de US$ 100 bilhões no comércio bilateral de bens e serviços.
  • Os EUA são a maior fonte do total de IED no Brasil. Para apoiar esse comércio, temos a Câmara Americana de Comércio do Brasil, que é a maior do mundo com 14 escritórios e 5 mil membros corporativos.
  • A Câmara de Comércio do Rio de Janeiro é a mais antiga no Hemisfério Ocidental e vai comemorar 99 anos este ano.
  • A cooperação Brasil-EUA em comércio e investimentos está em curso e ambos os países estão comprometidos com a expansão do comércio e dos investimentos mutuamente benéficos que contribuem para aumentar nossa competitividade global.
  • No mês passado, tive o prazer de acompanhar o recém-empossado ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Armando Monteiro, em sua primeira viagem internacional oficial a Washington para reuniões com a secretária de Comércio, Penny Pritzker, e o representante de Comércio dos EUA, Michael Froman, para discutir as prioridades das políticas de comércio e investimentos. Nossas discussões abordaram uma ampla gama de assuntos, desde cooperação em regulamentação, a agricultura e setores de interesse para o futuro engajamento entre os dois governos. E estamos prestes a programar as futuras reuniões do Diálogo Comercial Brasil-EUA e do Fórum de CEOs Brasil-EUA.
  • Essas reuniões estarão centradas na facilitação do comércio e dos investimentos, na cooperação em regulamentação, entre outros assuntos, e darão prioridade a iniciativas que devem ser tomadas pelos nossos governos para melhorar o comércio e os investimentos e promover maior competitividade e criação de empregos.
  • Também chefiarei uma delegação de 50 empresários brasileiros no próximo mês para a Cúpula de Investimentos Select USA, que está sendo organizada pela secretária de Comércio, Penny Pritzker, com o objetivo de explorar oportunidades para ampliar as operações das empresas brasileiras nos Estados Unidos e alavancar nosso país para assegurar uma participação mais sólida nas cadeias globais de valor. O Brasil já é o investidor número um entre os Brics nos EUA, com um capital de investimento total estimado, de forma conservadora, em US$ 15 bilhões, gerando mais de 76 mil empregos.

Embaixada dos EUA aqui para servir

  • A Embaixada dos EUA no Brasil conta com a representação de 15 órgãos federais, demonstrando a ampla gama de assuntos e iniciativas que empreendemos para fazer avançar nossa relação muito robusta.
  • Estamos presentes na Embaixada de Brasília, mas também nos Consulados-Gerais de Recife (no Nordeste do Brasil), Rio de Janeiro e São Paulo. E estamos nos preparando para abrir novos consulados em Belo Horizonte e Porto Alegre.
  • Nossas Seções de Imprensa, Educação e Cultura contam com especialistas que promovem estudos nos EUA e laços institucionais entre universidades e instituições. Nosso Serviço de Comércio Interno e Externo tem cinco escritórios no Brasil, inclusive em Belo Horizonte, onde seus 11 diplomatas comerciais e 17 especialistas em comércio trabalham anualmente com centenas de empresas americanas e brasileiras para aprofundar nossas relações comerciais com foco em 30 setores de crescimento nos quais as empresas americanas são líderes globais. As áreas de especialidade variam de saúde a telecomunicações e tecnologia da informação, equipamentos e tecnologias agrícolas, equipamentos e serviços de petróleo e gás.
  • Todos os anos organizamos delegações, totalizando mais de 2 mil pessoas para participar das principais feiras comerciais dos EUA, muitas das quais acontecem aqui na Califórnia.
  • E damos as boas-vindas a mais empresas da Califórnia e dos EUA no Brasil.
  • Apesar dos desafios enfrentados pelo Brasil, vemos oportunidades de engajamento neste momento.