Discurso de Despedida do Presidente Obama

President Barack Obama waves on stage with first lady Michelle Obama, daughter Malia, Vice President Joe Biden and his wife Jill Biden after his farewell address at McCormick Place in Chicago, Tuesday, Jan. 10, 2017. (AP Photo/Pablo Martinez Monsivais)

CASA BRANCA
Escritório do Secretário de Imprensa

Para divulgação imediata

McCormick Place
Chicago, Illinois

20h02 (horário padrão central dos EUA)

PRESIDENTE: Olá, Chicago! (Aplausos.) É bom estar em casa. (Aplausos.) Obrigado a todos. Obrigado. (Aplausos.) Muito obrigado. Obrigado. (Aplausos.) Tudo bem, sentem-se todos. (Aplausos.) Estamos ao vivo na TV aqui. Preciso começar. (Aplausos.) Vocês podem ver que eu sou um pato manco, não tenho mais nenhuma autoridade, ninguém está seguindo minhas instruções. (Risos.) Sentem-se, por favor. (Aplausos.)

Meus concidadãos americanos – (aplausos) – Michelle e eu ficamos muito comovidos com todos os bons votos que recebemos nas últimas semanas. Mas esta noite é a minha vez de dizer obrigado. (Aplausos.) Quer tenhamos tido as mesmas posições ou raramente concordado, foram as minhas conversas com vocês, o povo americano – em salas de estar e escolas; em fazendas e fábricas; em lanchonetes e postos avançados distantes – que me mantiveram honesto, que me inspiraram e me deram forças para seguir em frente. Aprendi com vocês todos os dias. Vocês me fizeram um presidente melhor e um homem melhor. (Aplausos.)

Vim a Chicago pela primeira vez quando tinha 20 e poucos anos. E ainda estava tentando descobrir quem eu era, ainda à procura de um propósito na vida. E foi em bairros não muito longe daqui que comecei a trabalhar com grupos de igrejas durante o período sombrio do fechamento de siderúrgicas. Foi nessas ruas que testemunhei o poder da fé e a dignidade discreta dos trabalhadores diante de dificuldades e perdas.

PLATEIA: Mais quatro anos! Mais quatro anos! Mais quatro anos!

PRESIDENTE: Não posso fazer isso.

PLATEIA: Mais quatro anos! Mais quatro anos! Mais quatro anos!

PRESIDENTE: Foi aqui que aprendi que a mudança só acontece quando as pessoas comuns se envolvem, participam e se unem para exigi-la.
Após oito anos como presidente, ainda acredito nisso. E não sou só eu que acredito nisso. É o coração pulsante da nossa ideia americana – nossa experiência arrojada com o autogoverno. É a convicção de que somos todos criados iguais, dotados pelo nosso Criador com determinados direitos inalienáveis, entre os quais a vida, a liberdade e a busca da felicidade. É a insistência de que esses direitos, embora evidentes por si só, nunca foram autoexecutados; de que nós, o povo, por meio do instrumento da nossa democracia, podemos formar uma união mais perfeita.

Que ideia radical. Uma grande dádiva que nos legaram nossos fundadores: a liberdade para ir em busca dos nossos sonhos individuais com suor, trabalho e imaginação – e o imperativo de lutarmos juntos também para alcançar um bem comum, um bem maior.

Por 240 anos, o apelo da nossa nação à cidadania tem dado trabalho e propósito a cada nova geração. Foi o que levou patriotas a escolher a república e não a tirania, pioneiros a abrir o caminho para o Oeste, escravos a se aventurar naquele caminho arriscado para a liberdade. Foi o que atraiu imigrantes e refugiados a cruzar oceanos e o Rio Grande. (Aplausos.) Foi o que impeliu as mulheres a lutar pelo direito do voto. Foi o que incentivou os trabalhadores a se organizar. Foi por isso que soldados americanos deram a vida na Praia de Omaha e em Iwo Jima; no Iraque e no Afeganistão. E foi por isso que homens e mulheres de Selma a Stonewall estavam preparados para também sacrificar a vida. (Aplausos.)

Portanto, é esse o sentido quando dizemos que os Estados Unidos são excepcionais – não que a nossa nação tenha sido impecável desde o início, mas que temos demonstrado a capacidade de mudar e tornar a vida melhor para aqueles que virão. Sim, nosso progresso tem sido desigual. O trabalho da democracia sempre foi difícil. Sempre foi contencioso. Algumas vezes foi sangrento. Para cada dois passos à frente, muitas vezes parece que damos um para trás. Mas o alcance dos Estados Unidos tem sido definido por movimentos para frente, ampliação constante do nosso credo fundador de abraçar a todos e não apenas alguns. (Aplausos.)

Se eu tivesse dito a vocês há oito anos que os Estados Unidos reverteriam uma grande recessão, revigorariam a nossa indústria automobilística e desencadeariam o mais longo período de criação de empregos da nossa história – (aplausos) – se eu tivesse dito que iniciaríamos um novo capítulo com o povo cubano, encerraríamos o programa de armas nucleares do Irã sem disparar um tiro e eliminaríamos o mentor do 11 de Setembro – (aplausos) – se eu tivesse dito que conquistaríamos a igualdade de casamento e asseguraríamos o direito a um plano de saúde para mais 20 milhões dos nossos concidadãos – (aplausos) – se eu tivesse dito tudo isso, vocês talvez dissessem que nossas metas eram ambiciosas demais. Mas foi isso o que fizemos. (Aplausos.) Foi isso o que vocês fizeram.

Vocês foram a mudança. Vocês responderam às esperanças das pessoas, e graças a vocês, em quase todos os aspectos, os Estados Unidos são hoje um lugar melhor e mais forte do que quando começamos. (Aplausos.)

Dentro de dez dias, o mundo será testemunha de um marco da nossa democracia.

PLATEIA: Nããão –

PRESIDENTE: Não, não, não, não, não – a transferência pacífica de poder de um presidente eleito livremente para outro. (Aplausos.) Eu me comprometi com o presidente eleito, Donald Trump, que meu governo asseguraria a transição mais tranquila possível, assim como o presidente Bush fez comigo. (Aplausos.) Porque cabe a todos nós garantir que o nosso governo possa nos ajudar a enfrentar os muitos desafios que ainda temos pela frente.

Temos o que precisamos para fazer isso. Temos tudo o que precisamos para enfrentar esses desafios. Afinal, continuamos a ser a nação mais rica, mais poderosa e mais respeitada do planeta. Nossa juventude e energia, nossa diversidade e abertura, nossa capacidade ilimitada para assumir riscos e reinventar significam que o futuro deve ser nosso. Mas esse potencial somente será realizado se a nossa democracia funcionar. Somente se a nossa política refletir melhor a decência do nosso povo. (Aplausos.) Somente se todos nós, independentemente de filiação partidária ou interesses particulares, ajudarmos a restaurar o sentido de propósito comum, de que tanto precisamos agora.

É disto que quero falar esta noite: o estado da nossa democracia. Entendam, a democracia não exige uniformidade. Nossos fundadores discutiram. Eles brigaram. E acabaram chegando a um consenso. E esperavam que fizéssemos o mesmo. Mas eles sabiam que a democracia exige um sentido básico de solidariedade – a ideia de que, apesar de todas as nossas diferenças externas, estamos nisso juntos; subimos e caímos como um só. (Aplausos.)

Houve momentos ao longo da nossa história que ameaçaram essa solidariedade. E o início deste século tem sido um desses momentos. Um mundo cada vez menor, desigualdade crescente; mudanças demográficas e o espectro do terrorismo – essas forças puseram à prova não só a nossa segurança e a nossa prosperidade, mas também a nossa democracia. E o modo como enfrentamos esses desafios para a nossa democracia vai determinar a nossa capacidade de educar nossos filhos, criar bons empregos e proteger a nossa pátria. Em outras palavras, vai determinar o nosso futuro.

Para início de conversa, a nossa democracia não vai funcionar sem a noção de que todos têm oportunidades econômicas. E a boa notícia é que hoje a economia está crescendo novamente. Os salários, a renda, o valor dos imóveis e as aposentadorias voltaram a subir. A pobreza está diminuindo de novo. (Aplausos.) Os ricos estão pagando uma parcela mais justa de impostos, ao mesmo tempo que o mercado de ações bate recordes. A taxa de desemprego aproxima-se do nível mais baixo em dez anos. O índice de pessoas sem seguro nunca foi mais baixo. (Aplausos.) Os custos com saúde estão subindo à taxa mais lenta em 50 anos.

E eu disse e vou cumprir: se alguém conseguir montar um plano que seja comprovadamente melhor do que as melhorias que fizemos no nosso sistema de saúde e que cubra o mesmo número de pessoas a um custo menor, vou apoiar publicamente. (Aplausos.)

Afinal, é por isso que servimos à nação. Não para marcar pontos ou levar o crédito, mas para melhorar a vida das pessoas. (Aplausos.)

Mas, apesar de todos os progressos reais que fizemos, sabemos que não é suficiente. Nossa economia não funciona tão bem nem cresce tão rápido quando alguns prosperam em detrimento de uma classe média crescente e de obstáculos para as pessoas que querem entrar na classe média. (Aplausos.) Esse é o argumento econômico. Mas uma desigualdade gritante também corrói o nosso ideal democrático. Enquanto o 1% do topo da pirâmide acumulou uma parcela maior de riqueza e renda, muitas famílias, em cidades do interior e condados rurais, foram deixadas para trás – o trabalhador demitido da fábrica, a garçonete ou o profissional de saúde que sobrevivem a duras penas e batalham para pagar as contas, convencidos de que o jogo está armado contra eles, que seu governo só serve aos interesses dos poderosos. É uma receita para mais ceticismo e polarização na nossa política.

Mas não há soluções rápidas para essa tendência de longo prazo. Concordo, nosso comércio deve ser justo e não apenas livre. Mas a próxima onda de deslocamentos econômicos não virá do exterior. Ela virá do ritmo implacável da automação que torna obsoletos muitos empregos bons da classe média.

Assim, teremos de forjar um novo pacto social para garantir a todos os nossos filhos a educação que precisam – (aplausos) – para dar aos trabalhadores o poder da sindicalização para obter melhores salários; para atualizar a rede de segurança social de modo a refletir a forma como vivemos agora e fazer mais reformas no código fiscal para que as empresas e as pessoas físicas que mais lucram com esta nova economia não evitem suas obrigações com o país que tornou possível o seu próprio sucesso. (Aplausos.)

Podemos discutir sobre a melhor maneira de alcançar esses objetivos. Mas não podemos ser complacentes com os objetivos em si. Pois se não criarmos oportunidades para todas as pessoas, o ressentimento e a divisão que paralisaram o nosso progresso só vão aumentar nos próximos anos.

Há uma segunda ameaça à nossa democracia – e essa é tão antiga quanto a nossa própria nação. Depois da minha eleição, falou-se de uns Estados Unidos pós-raciais. E essa visão, por mais bem-intencionada que seja, nunca foi realista. A raça continua a ser uma força poderosa e muitas vezes divisionista em nossa sociedade. Já vivi o suficiente para saber que as relações raciais estão melhores do que eram 10, 20 ou 30 anos atrás, não importa o que digam algumas pessoas. (Aplausos.) Isso pode ser visto não só nas estatísticas, mas nas atitudes dos jovens americanos em todo o espectro político.

Mas não chegamos aonde precisamos chegar. E todos nós temos mais trabalho a fazer. (Aplausos.) Se todo problema econômico for apresentado como uma batalha entre uma classe média de brancos trabalhadores e uma minoria não merecedora, então, trabalhadores de todas as cores serão relegados a disputar migalhas enquanto os ricos se retiram ainda mais a seus enclaves privados. (Aplausos.) Se não estivermos dispostos a investir nos filhos dos imigrantes, só porque eles não se parecem conosco, reduziremos as perspectivas dos nossos próprios filhos – porque aquelas crianças pardas representarão uma parcela cada vez maior da força de trabalho dos Estados Unidos. (Aplausos.) E mostramos que nossa economia não tem de ser um jogo de soma zero. No ano passado, a renda subiu para todas as raças, todas as faixas etárias, para homens e mulheres.

Portanto, se quisermos levar a sério os avanços raciais, precisamos defender leis contra a discriminação – nas contratações, no setor habitacional, na educação e no sistema de justiça criminal. (Aplausos.) Isso é o que a nossa Constituição e os nossos mais altos ideais exigem. (Aplausos.)

Mas só as leis não serão suficientes. Os corações precisam mudar. Isso não vai mudar da noite para o dia. Atitudes sociais muitas vezes levam gerações para mudar. Mas para que a nossa democracia funcione nesta nação cada vez mais diversificada, cada um de nós precisa tentar seguir o conselho de um grande personagem da ficção americana, Atticus Finch – (aplausos) – que disse: “Você nunca compreende uma pessoa realmente até considerar as coisas do ponto de vista dela (…) até entrar em sua pele e andar por aí vestido nela”.

Para os negros e outras minorias, isso significa vincular nossas próprias lutas muito reais por justiça aos desafios que muitas pessoas neste país enfrentam – não somente o refugiado, o imigrante, o pobre da zona rural ou o americano transgênero, mas também o branco de meia idade que, visto de fora, pode parecer que tem vantagens, mas que viu seu mundo vir abaixo pelas mudanças econômicas, culturais e tecnológicas. Temos de prestar atenção e escutar. (Aplausos.)
Para os americanos brancos, significa reconhecer que os efeitos da escravidão e das leis de Jim Crow não desapareceram repentinamente nos anos 60 – (aplausos) – que quando minorias manifestam insatisfação, não estão apenas invertendo o racismo ou fazendo o politicamente correto. Quando fazem manifestações pacíficas, não estão exigindo tratamento especial, mas a igualdade de tratamento que nossos fundadores prometeram. (Aplausos.)

Para os americanos natos, significa nos lembrar de que os estereótipos sobre os imigrantes de hoje foram usados, quase com as mesmas palavras, para se referir aos irlandeses, aos italianos e aos poloneses – sobre os quais era dito que destruiriam o caráter fundamental dos Estados Unidos. E, no fim das contas, os Estados Unidos não ficaram mais fracos com a presença desses imigrantes; eles abraçaram o credo desta nação, e esta nação ficou mais forte. (Aplausos.)

Portanto, independentemente da posição que ocupamos, temos de nos esforçar mais. Todos temos de partir da premissa de que cada um dos nossos concidadãos ama este país tanto quanto nós; valoriza o trabalho e a família assim como nós; e que seus filhos são tão curiosos, cheios de esperança e dignos de amor quanto os nossos. (Aplausos.)

E isso não é fácil. Para muitos de nós, tornou-se mais seguro retrair-se dentro de nossas próprias bolhas, seja em nosso bairro ou no campus universitário, em locais de culto religioso ou principalmente nas mídias sociais, cercados de pessoas que se parecem conosco, têm as mesmas posições políticas e nunca contestam as nossas teses. A crescente polarização de opiniões e o aumento da estratificação econômica e regional, a fragmentação da nossa mídia em canais para todos os gostos – tudo isso faz com que essa grande divisão pareça natural e até mesmo inevitável. E, cada vez mais, nós nos sentimos tão seguros em nossas bolhas que começamos a só aceitar informações, verdadeiras ou não, que se adequem às nossas opiniões, em vez de fundamentá-las em evidências existentes. (Aplausos.)

E essa tendência representa uma terceira ameaça à nossa democracia. Mas a política é uma batalha de ideias. Foi assim que a nossa democracia foi concebida.

Em um debate saudável, priorizamos objetivos diferentes e os diferentes meios de alcançá-los. Mas sem uma base comum de fatos, sem disposição para aceitar novas informações e admitir que o adversário pode estar apresentando um argumento justo e que ciência e razão são importantes – (aplausos) – vamos continuar falando sem ouvir o outro e sem sermos ouvidos, inviabilizando qualquer consenso. (Aplausos.)

E não é esse um dos aspectos que tantas vezes tornam a política desanimadora? Como podem as autoridades eleitas esbravejarem sobre déficits quando propomos gastar dinheiro com educação infantil, mas não quando cortamos os impostos das grandes empresas? (Aplausos.) Como podemos desculpar lapsos éticos em nosso partido, mas atacar duramente quando o outro partido faz a mesma coisa? Isso não só é desonesto, mas essa classificação seletiva dos fatos é autodestrutiva. Porque, como minha mãe me dizia, a realidade tem seu jeito de cobrar a conta. (Aplausos.)

Considerem o desafio das mudanças climáticas. Em apenas oito anos, reduzimos pela metade a nossa dependência do petróleo estrangeiro; dobramos nossa energia renovável; lideramos o mundo em um acordo que encerra a promessa de salvar este planeta. (Aplausos.) Mas sem ação mais ousada, nossos filhos não terão tempo para debater a existência das mudanças climáticas. Eles estarão ocupados enfrentando seus efeitos: mais desastres ambientais, mais turbulências econômicas, mais ondas de refugiados climáticos em busca de abrigo.

Podemos e devemos discutir sobre a melhor abordagem para resolver o problema. Mas simplesmente negar o problema não apenas é uma traição às gerações futuras, mas uma traição ao espírito essencial deste país – o espírito essencial de inovação e resolução prática de problemas que orientou nossos fundadores. (Aplausos.)

É esse espírito, nascido do Iluminismo, que nos tornou uma potência econômica – o espírito que levantou voo em Kitty Hawk e Cabo Canaveral, o espírito que cura doenças e coloca um computador em cada bolso.

É esse espírito – a fé na razão, no empreendedorismo e no primado do direito sobre a força – que nos permitiu resistir à atração do fascismo e da tirania durante a Grande Depressão, que nos permitiu construir uma ordem pós-Segunda Guerra Mundial com outras democracias, uma ordem que não se baseia apenas no poder militar ou afiliações nacionais, mas em princípios – o Estado de Direito, os direitos humanos, as liberdades de religião, expressão, reunião e uma imprensa independente. (Aplausos.)

Essa ordem agora está sendo desafiada – primeiro por fanáticos violentos que afirmam falar em nome do Islã, mais recentemente por autocratas em capitais estrangeiras que veem o livre mercado, as democracias abertas e a própria sociedade civil como ameaças ao seu poder. O perigo que cada um representa para a nossa democracia tem alcance maior que um carro-bomba ou um míssil. Ele representa o medo da mudança; o medo de pessoas de aparência diferente da nossa ou que falam ou oram de forma diferente; o desprezo pelo Estado de Direito que obriga os líderes a prestar conta de seus atos; a intolerância à divergência e ao pensamento livre; a crença de que a espada ou a arma ou a bomba ou a máquina de propaganda é o árbitro final do que é verdade e do que é certo.

Graças à extraordinária coragem dos nossos homens e mulheres militares, aos nossos agentes de inteligência e da lei e aos diplomatas que apoiam nossas tropas – (aplausos) – nenhuma organização terrorista estrangeira planejou e executou com sucesso um ataque contra a nossa pátria nos últimos oito anos. (Aplausos.) E, apesar de Boston e Orlando, San Bernardino e Fort Hood nos lembrarem de como a radicalização pode ser perigosa, nossas agências de aplicação da lei estão mais eficazes e mais vigilantes que nunca. Eliminamos dezenas de milhares de terroristas, inclusive Osama bin Laden. (Aplausos.) A coalizão global que estamos liderando contra o Estado Islâmico eliminou seus líderes e retomou cerca de metade do seu território. O Estado Islâmico será destruído, e quem quer que ameace os Estados Unidos jamais estará seguro. (Aplausos.)

E a todos os militares que servem ou serviram a este país, ser seu comandante em chefe tem sido a maior honra da minha vida. E todos nós temos com vocês uma profunda dívida de gratidão. (Aplausos.)

Mas proteger o nosso modo de vida não é trabalho exclusivo dos nossos militares. A democracia pode sucumbir se cedermos ao medo. Portanto, nós, como cidadãos, devemos permanecer vigilantes contra agressões externas e temos de nos precaver contra o enfraquecimento dos valores que fazem de nós o que somos. (Aplausos.)

Foi por isso que trabalhei nos últimos oito anos para colocar a luta contra o terrorismo sobre uma base jurídica mais sólida. Foi por isso que acabamos com a tortura, trabalhamos para fechar Guantánamo e reformamos nossas leis sobre vigilância para proteger a privacidade e as liberdades civis. (Aplausos.) É por isso que rejeito a discriminação contra muçulmanos americanos, que são tão patriotas quanto nós. (Aplausos.)

É por isso que não podemos abandonar as grandes lutas globais – para expandir a democracia e os direitos humanos, os direitos das mulheres e os direitos LGBT. Por mais imperfeitos que sejam os nossos esforços, por mais conveniente que possa parecer ignorar esses valores, isso faz parte da defesa dos Estados Unidos. Pois a luta contra o extremismo e a intolerância, contra o sectarismo e o chauvinismo faz parte da luta contra o autoritarismo e a agressão nacionalista. Se o alcance da liberdade e do respeito pelo Estado de Direito encolher no mundo, a probabilidade de guerra dentro e entre as nações aumentará, e as nossas próprias liberdades acabarão ameaçadas.

Portanto, sejamos vigilantes, mas sem medo. (Aplausos.) O Estado Islâmico tentará matar pessoas inocentes. Mas eles não podem derrotar os EUA, a menos que haja uma traição da nossa parte à Constituição e aos nossos princípios nessa luta. (Aplausos.) Rivais como a Rússia ou a China não podem igualar nossa influência no mundo todo – a não ser se abrirmos mão daquilo que defendemos – (aplausos) – e nos transformarmos em apenas mais um país grande que oprime seus vizinhos menores.

Chego assim ao meu último ponto. A nossa democracia é ameaçada sempre que a damos como certa. (Aplausos.) Todos nós, independentemente do partido, devemos nos entregar à tarefa de reconstruir nossas instituições democráticas. (Aplausos.) Se os índices de comparecimento às urnas nos Estados Unidos estão entre os mais baixos das democracias avançadas, devemos facilitar o voto, não dificultá-lo. (Aplausos.) Se a confiança em nossas instituições está baixa, devemos reduzir a influência corrosiva do dinheiro na política e insistir nos princípios de transparência e ética no serviço público. (Aplausos.) Se o Congresso está disfuncional, devemos fazer com que nossos distritos eleitorais incentivem os políticos a se pautarem pelo bom senso, e não por extremismos rígidos. (Aplausos.)

Mas, lembrem-se, nada disso acontece por conta própria. Tudo isso depende da nossa participação, de cada um de nós aceitar a responsabilidade da cidadania, independentemente de para que lado se inclina o pêndulo do poder.

Nossa Constituição é uma dádiva notável e bela. Mas, na verdade, ela nada mais é que um pedaço de pergaminho. Não tem poder por si só. Somos nós, o povo, que lhe damos poder. (Aplausos.) Somos nós, o povo, que lhe damos significado, com a nossa participação, as escolhas que fazemos e as alianças que formamos. (Aplausos.) Se nos posicionamos ou não em defesa das nossas liberdades, se respeitamos e aplicamos o Estado de Direito ou não. Só depende de nós. Os Estados Unidos não são um país frágil. Mas as conquistas de nossa longa jornada rumo à liberdade não estão garantidas.

Em seu discurso de despedida, George Washington escreveu que o autogoverno é a base de nossa segurança, prosperidade e liberdade, mas “por diferentes causas e vindos de diferentes direções muitos esforços serão feitos (…) para enfraquecer em vossas mentes a convicção dessa verdade”. Portanto, temos de preservar essa verdade com “ansiedade zelosa”; devemos rejeitar “o primeiro sinal de qualquer tentativa de alienar qualquer parte de nosso país do restante dele ou de enfraquecer os laços sagrados” que fazem de nós uma unidade. (Aplausos.)

Enfraquecemos esses laços quando permitimos que o nosso diálogo político se torne tão corrosivo que as pessoas de bom caráter sentem-se desencorajadas de entrar para o serviço público; tão grosseiro e rancoroso que passamos a ver os americanos com os quais discordamos não como mal orientados, mas como inimigos. Enfraquecemos esses laços quando definimos alguns de nós como mais americanos que outros; quando tachamos o sistema inteiro de inevitavelmente corrupto e quando culpamos os líderes que escolhemos sem analisar nosso próprio papel na eleição deles. (Aplausos.)

Cabe a cada um de nós ser um daqueles guardiões ansiosos e zelosos da nossa democracia, abraçar a prazerosa tarefa que nos foi dada de procurar melhorar continuamente esta nossa grande nação. Porque, apesar de nossas aparentes diferenças, todos nós, de fato, temos o mesmo título que é motivo de orgulho, a função mais importante em uma democracia: cidadão. (Aplausos.) Cidadão.

Então, isso é o que nossa democracia exige. Ela precisa de vocês. Não apenas quando há uma eleição, não apenas quando seus próprios interesses estão em jogo, mas ao longo de toda a vida. Se vocês estão cansados de discutir com desconhecidos pela internet, tentem conversar com um deles na vida real. (Aplausos.) Se algo precisa ser consertado, arregacem as mangas e façam alguma coisa. (Aplausos.) Se vocês estão decepcionados com os políticos que elegeram, peguem uma prancheta, coletem algumas assinaturas e candidatem-se vocês mesmos a um cargo político. (Aplausos.) Apareçam. Mergulhem fundo. Persistam.

Às vezes vocês vencerão. Outras vezes, perderão. Supor que outras pessoas são um poço de bondade pode ser arriscado, e haverá momentos em que o processo vai decepcioná-los. Mas, para aqueles de nós que tivemos a sorte de fazer parte desse trabalho, de vê-lo de perto, garanto que ele pode energizar e inspirar. E, na maioria das vezes, a fé de vocês nos Estados Unidos – e nos americanos – será confirmada. (Aplausos.)

A minha foi, sem dúvida alguma. Durante estes oito anos, pude ver os rostos esperançosos de nossos jovens recém-formados e oficiais recém-ingressados no serviço militar. Chorei com as famílias enlutadas, em busca de respostas, e encontrei a graça divina em uma igreja de Charleston. Vi nossos cientistas ajudarem um homem paralítico a recuperar o sentido do tato. Vi soldados feridos, às vezes abandonados à morte, voltarem a andar. Vi nossos médicos e voluntários reconstruírem cidades após terremotos e impedirem o avanço de pandemias. Vi as crianças menores nos lembrarem, por meio de suas ações e generosidade, de nossas obrigações de cuidar dos refugiados ou de trabalhar pela paz e, acima de tudo, de estar atento ao outro. (Aplausos.)

A fé que depositei durante todos esses anos, não faz muito tempo, no poder dos americanos comuns de efetuar mudanças – essa fé foi recompensada de uma maneira que eu jamais poderia ter imaginado. Espero que a fé de vocês também tenha sido. Alguns de vocês que estão aqui esta noite ou que estão nos assistindo de casa estiveram lá conosco em 2004, 2008, 2012 – (aplausos) – talvez vocês mal acreditem que conseguimos realizar tudo isso. Garanto que vocês não são os únicos. (Risos.)

Michelle – (aplausos) – Michelle LaVaughn Robinson, menina do lado sul de Chicago – (aplausos) – nos últimos 25 anos você tem sido não apenas minha esposa e mãe de minhas filhas, você tem sido minha melhor amiga. (Aplausos.) Você assumiu um papel que não pediu e o desempenhou do seu jeito, com graça, garra, estilo e bom humor. (Aplausos.) Você fez da Casa Branca um lugar que pertence a todos. (Aplausos.) E a nova geração tem aspirações mais elevadas porque tem você como exemplo. (Aplausos.) Você me deixa orgulhoso. E deixa o país orgulhoso. (Aplausos.)

Malia e Sasha, sob as mais estranhas circunstâncias, vocês se transformaram em duas jovens surpreendentes. Vocês são inteligentes e lindas, mas o mais importante é que são gentis, atenciosas e cheias de paixão. (Aplausos.) Vocês carregaram facilmente o fardo de passar anos sob os holofotes. De tudo o que já fiz na vida, o que me dá mais orgulho é ser o pai de vocês. (Aplausos.)

A Joe Biden – (aplausos) – garoto briguento de Scranton que se tornou o filho favorito de Delaware – você foi o primeiro nome que escolhi para a minha equipe e foi minha melhor escolha. (Aplausos.) Não apenas porque foi um grande vice-presidente, mas porque, em troca, ganhei um irmão. Amamos você e Jill como se fossem da nossa família, e a amizade com vocês é uma das grandes alegrias da nossa vida. (Aplausos.)

À minha extraordinária equipe: por oito anos – e, no caso de alguns de vocês, há muito mais – eu me nutri da sua energia e todo dia tento repercutir o que vocês demonstraram – coração, caráter e idealismo. Vi vocês crescerem, casarem-se, terem filhos e iniciarem novas e incríveis jornadas próprias. Mesmo nos tempos difíceis e frustrantes, nunca deixaram que Washington os dominasse. Vocês estão protegidos contra o ceticismo. E a única coisa que me dá mais orgulho do que tudo o que fizemos de bom é pensar em todas as coisas incríveis que vocês vão realizar daqui em diante. (Aplausos.)

E a todos vocês que estão aí – a cada organizador que se mudou para uma cidade desconhecida, a cada família generosa que os acolheu, a cada voluntário que bateu de porta em porta, a cada jovem que votou pela primeira vez, a cada americano que viveu e respirou o trabalho árduo de realizar mudanças – vocês são os melhores apoiadores e organizadores que uma pessoa poderia desejar, e serei eternamente grato. (Aplausos.) Porque vocês mudaram o mundo. (Aplausos.) Vocês mudaram.

E é por isso que deixo este palco esta noite ainda mais otimista sobre o nosso país do que estava quando começamos. Porque sei que o nosso trabalho não apenas ajudou muitos americanos como também inspirou muitos americanos – especialmente muitos jovens por aí afora – a acreditar que vocês podem fazer a diferença – (aplausos) – a atrelar suas esperanças a algo maior do que vocês.

Vou dizer uma coisa, esta geração que está chegando – uma geração altruísta, criativa, patriótica – tenho visto vocês em todos os cantos do país. Vocês acreditam em um país equitativo, justo e inclusivo. (Aplausos.) Vocês sabem que mudanças constantes têm sido a marca registrada do nosso país; elas não são algo a ser temido, mas abraçado. Vocês estão dispostos a levar adiante este trabalho duro da democracia. Em breve, vocês vão nos superar em número, e acredito que, graças a isso, o futuro está em boas mãos. (Aplausos.)

Meus concidadãos americanos, a maior honra da minha vida foi poder servir a vocês. (Aplausos.) Não vou parar por aqui. Na verdade, estarei com vocês, como cidadão, por todos os dias de vida que me restarem. Mas por ora, sejam vocês jovens ou jovens de coração, tenho um último pedido a fazer como seu presidente – a mesma coisa que pedi quando vocês apostaram em mim oito anos atrás. Estou pedindo que acreditem. Não na minha capacidade de fazer mudanças, mas na de vocês.

Estou pedindo que se agarrem à fé escrita nos documentos da fundação da nossa nação; àquela ideia sussurrada pelos escravos e abolicionistas; àquele espírito cantado por imigrantes, lavradores e todos os que marcharam por justiça; àquele credo reafirmado pelos que fincaram bandeiras em campos de batalhas no exterior e até na superfície da Lua; um credo que está no âmago de todo americano cuja história ainda não foi escrita: sim, nós podemos. (Aplausos.)

Sim, nós fizemos. Sim, nós podemos. (Aplausos.)

Obrigado. Que Deus os abençoe. Que Deus continue a abençoar os Estados Unidos da América. (Aplausos.)

FIM 20h53 (horário padrão central dos EUA)