Discurso na Associação Comercial do Rio de Janeiro

Discurso da Embaixadora Liliana Ayalde na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ)

Obrigado a todos vocês e a associação por ter me convidado essa manhã. É oportuno estar aqui, nesse momento tão transformador para a cidade do Rio de Janeiro e também é o momento oportuno na nossa relação. Eu como embaixadora tenho como uma das minhas prioridades mais importantes, incrementar ainda mais a relação comercial entre os nossos dois países. E também porque eu tenho um pedacinho do meu coração aqui no Rio de Janeiro. Quando criança eu morei aqui e conseguir que possamos fortalecer e aproveitar esse momento tão oportuno que está vindo, essa plataforma que o presidente falava para o mundo, e para mim é importante aproveitar. Então eu gostaria de agradecer novamente a associação comercial do Rio de Janeiro, especialmente o presidente Paulo Protásio pelo convite e vou ler algumas coisas, só para organizar minhas mensagens e depois vou responder algumas perguntas. Sei que o meu tempo está um pouco apertado, mas acho importante ouvir de vocês e aproveitar o maior tempo possível. Aproveito esta oportunidade para me encontrar com vocês, neste momento importante que o Presidente Obama descreveu como um “novo, mais ambicioso capítulo na relação entre nossos países”.

Como vocês bem conhecem, existem muitas empresas americanas atuando no Brasil, no Rio especialmente. Como a sétima economia mundial e o nono maior parceiro comercial dos Estados Unidos, o Brasil se tornou um mercado vital para empresas americanas. Hoje o Brasil e os Estados Unidos tem um comércio bilateral de mais de cem bilhões de dólares, incluindo bens e serviços. Além disto, os Estados Unidos são a maior fonte de investimento externo direto no Brasil, com mais de setenta e nove bilhões de dólares investidos aqui. E o investimento brasileiro nos Estados Unidos mais do que triplicou nos últimos cinco anos, atingindo mais de catorze bilhões de dólares. Nossa relação bilateral cobre uma vasta gama de setores, e comércio e investimento estão entre os mais importantes. Mas podemos fazer muito mais.

O investimento brasileiro nos Estados Unidos também tem um importante papel. Subsidiárias americanas de empresas brasileiras empregam mais de setenta e seis mil trabalhadores, e empresas de capital brasileiro contribuem com cerca de seis bilhões do total anual de exportações americanas. Enquanto o Brasil procura expandir suas vendas globais de produtos manufaturados com alto valor agregado e visa solidificar sua participação na cadeia de fornecimento mundial, os Estados Unidos oferecem uma fantástica plataforma para empresas brasileiras.

Vemos nossa relação comercial com o Brasil como uma verdadeira parceria. Empresas americanas estão fortemente comprometidas com o mercado brasileiro e tem um longo histórico em desempenhar um papel construtivo na economia e no desenvolvimento social brasileiro. Elas investiram e continuam investindo nos trabalhadores brasileiros, desenvolvem tecnologias inovadoras com parceiros brasileiros, e colaboram efetivamente com o governo brasileiro a nível federal, estadual e municipal.

O Rio de Janeiro sedia vários exemplos desta parceria produtiva. Por exemplo, como já mencionado, a General Electric (GE) inaugurou o seu Centro Brasileiro de Tecnologia em 2014 e eu tive a honra de participar nessa inauguração, com investimento avaliado em quinhentos milhões de dólares, na Ilha do Bom Jesus. Este investimento vai focar no desenvolvimento de avançada tecnologia submarina de óleo e gás. O Centro, o primeiro da GE na América Latina, é um pólo para o engajamento e a colaboração com clientes da empresa na região. Outro exemplo é o Centro Médico da United Health, aberto em 2014 na Barra da Tijuca, em um investimento de quinhentos milhões de reais. O Centro é um modelo de integração dos diferentes segmentos da saúde, da prevenção ao diagnóstico e à reabilitação. Ele também inclui um centro de treinamento para desenvolvimento e formação de novos profissionais.

Quando o Presidente Obama recebeu a Presidenta Dilma em Washington em junho, onde eu tive o privilégio de participar, o crescimento dos laços econômicos estava no topo da agenda. Os presidentes afirmaram seu compromisso em aumentar os esforços para a expansão do comércio e do investimento. Ambos presidentes salientaram que o acelerado crescimento da economia americana – principal destino dos produtos manufaturados brasileiros – e os laços naturais que unem nossos dois países – oferecem importantes oportunidades para a expansão do comércio e do investimento bilateral.

Os presidentes enfatizaram o importante papel dos principais mecanismos de coordenação e diálogo bilateral: o Diálogo para a Parceria Global; o Diálogo Comercial Brasil-Estados Unidos, o Diálogo Estratégico em Energia e o Diálogo para Cooperação em Defesa. Todos estes grupos deverão se reunir novamente nos próximos meses. E alguns grupos de trabalho já estão trabalhando para formalizar.

Os presidentes também expressaram sua satisfação com o Fórum de CEOs Brasil-Estados Unidos. Durante o encontro, membros do setor privado deste fórum fizeram recomendações conjuntas aos líderes do setor público do fórum em setores como energia, tributário, comércio e investimentos, aviação, educação e inovação, infraestrutura e saúde. Os presidentes se comprometeram a que seus respectivos governos trabalhem com os membros do setor privado do CEO Forum, e com a comunidade de negócios em geral, para atender as recomendações. Durante o próximo CEO Forum, a ser realizado em fevereiro de Dois Mil e Dezesseis, talvez em Chicago, nossos dois governos anunciarão uma cooperação ampliada em cada um destes setores.

Nossas nações estão comprometidas com cerca de 20 grandes diálogos bilaterais. Além do Diálogo Comercial e do CEO Forum, que acabo de mencionar, temos o

Conselho Consultivo em Agricultura, o Díálogo Econômico e Financeiro e a Comissão Conjunta de Cooperação em Ciência e Tecnologia, que também mantiveram encontros este ano. Também temos a segunda fase da Parceria em Aviação começou em junho. Tem um trabalho contínuo entre nossas respectivas agências reguladoras também está abrindo caminho para um crescente fluxo de negócios e investimentos.

Reconhecemos a importância destes compromissos de nossos dois presidentes e está avançando no sentido de abrir uma série de frentes para incrementar e aprofundar nossa relação comercial. No mês passado, por exemplo, para ilustrar a cooperação no setor de saúde, o Setor Comercial da Embaixada trouxe ao Brasil uma dúzia de empresas americanas de Tecnologia de Saúde.

Infraestrutura, uma importante prioridade para o Brasil, é outra área de grande enfoque para nossos esforços de promoção de negócios. Em maio, a Embaixada realizou, em São Paulo e no Rio, uma Conferência sobre Infraestrutura Aeroportuária, com a participação de mais de vinte representantes de empresas de tecnologia americanas, incluindo a Honeywell, a Rockwell Collins e a L-3, além de diversos exportadores que ainda não atuam no mercado brasileiro. O evento foi uma grande oportunidade para explorar novas vias de colaboração na modernização dos aeroportos brasileiros, tendo contado com a presença de diversos funcionários governamentais e dirigentes de aeroportos regionais.

Eu mencionei hoje alguns exemplos da força da relação comercial Brasil-Estados Unidos e dessas oportunidades para expansão. Repito o que o Vice-Presidente Biden tem dito em várias ocasiões que “o céu é literalmente o limite do que podemos atingir juntos”.

Eu gostaria de agradecer ao Presidente da Associação Comercial e aos membros da Associação por esta oportunidade de encontrá-los hoje. A Associação Comercial do Rio de Janeiro é um parceiro importante e próximo do Serviço Comercial e de toda a Missão Diplomática dos Estados Unidos no Brasil. Eu os encorajo a continuar a trabalhar conosco no sentido de reforçar os laços entre os Estados Unidos e o Brasil.

Muito obrigada.

Fico à disposição para responder às perguntas.