Discurso Secretário Michael R. Pompeo e Ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo

Sala de Tratados
Washington, D.C.

Secretário POMPEO: Bom dia a todos. É um grande prazer dar as boas-vindas ao meu amigo ministro das Relações Exteriores Araújo e aos outros ilustres membros da delegação brasileira no Departamento de Estado. Ernesto e eu desenvolvemos uma ótima relação de trabalho nos últimos 10 meses. Eu o encontrei outro dia na Casa Branca. E minha primeira viagem de 2019 foi para participar da posse do presidente Bolsonaro no Brasil. Eu comemorei a véspera de Ano Novo em algum lugar no céu na viagem a caminho de lá, o que me deixou no clima de comemoração para aquele grande dia.

Quando o presidente Trump e o presidente Bolsonaro se reuniram na Casa Branca em março passado, eles se comprometeram a avançar e fortalecer nossa parceria estratégica. É por isso que hoje estamos realizando nosso primeiro Diálogo Estratégico em sete anos. Mas a mudança em nosso relacionamento é muito maior do que qualquer reunião ou conjunto de reuniões. Entramos em uma nova era profunda e importante nos laços Brasil-EUA.

O Brasil, sob a liderança do presidente Bolsonaro, adotou um papel importante em relação ao livre comércio, o melhor fator para o crescimento econômico e a prosperidade. E o Brasil, uma grande democracia, também apóia firmemente a única verdadeira democracia no Oriente Médio, Israel. E o Brasil tem sido um parceiro fiel, amigo do Grupo de Lima, ajudando-nos a apoiar totalmente o povo venezuelano.

O Brasil, de fato, foi um dos primeiros países a reconhecer a administração do legítimo líder da Venezuela, o auto-declarado presidente Juan Guaido. Em agosto de 2019, o Brasil anunciou que impediria que altos funcionários de Maduro viajassem pelo Brasil.

No momento, o Brasil está acolhendo mais de 180.000 venezuelanos que fugiram do colapso econômico e da tirania que o regime Maduro causou. Essa generosidade é uma prova do compromisso do seu país com a segurança regional e a proteção dos direitos humanos.

Todos os esforços do Brasil dão aos Estados Unidos grande confiança para cooperar de novas maneiras. Vamos aumentar nosso relacionamento comercial, que já é responsável por mais de 100 bilhões de dólares anualmente. E neste mês, o presidente – perdão – as equipes brasileiras e norte-americanas darão continuidade ao compromisso que nossos presidentes assumiram em março. Estamos lançando um fundo de investimento de impacto de 100 milhões de dólares para conservação da biodiversidade da Amazônia, com duração de 11 anos, e esse projeto será liderado pelo setor privado.

Nossa cooperação em segurança também está avançando. Este ano, o presidente Trump designou o Brasil como aliado prioritário extra-Otan. E hoje tenho o prazer de dizer que o Brasil está desenvolvendo o trabalho da Conferência para o Avanço da Paz e da Segurança no Oriente Médio, realizado em Varsóvia em fevereiro passado. O Brasil co-sediará um grupo de trabalho do Processo de Varsóvia sobre questões humanitárias e refugiados nos dias 5 e 6 de fevereiro do próximo ano.

Nós também estamos trabalhando juntos para enfrentar a crise na Venezuela e fazer recuar os tiranos em Cuba e na Nicarágua.

Juntos, estamos aproveitando a oportunidade para consolidar um futuro com segurança, prosperidade e democracia para o nosso povo e para todo o hemisfério.

Obrigado novamente por ter vindo a Washington.  Foi ótimo estar com você hoje.

Ministro ARAUJO: Muito obrigado, Sr. secretário. Bom dia a todos. Esta é, creio eu, a quarta vez que temos uma reunião este ano com o secretário Mike Pompeo, uma vez em Brasília e três vezes aqui em Washington, além dos encontros em outros eventos. Esta é a minha sexta visita os Estados Unidos este ano, contando a que eu vim com o presidente Bolsonaro, então eu acho que isso mostra claramente que estamos trabalhando duro para cumprir o compromisso de nossos dois presidentes para realmente construir uma forte parceria e aliança entre o Brasil e os Estados Unidos.

Um passo importante que estamos tomando hoje com a reunião do Diálogo de Parceria Estratégica, e estávamos falando sobre isso, queremos realmente torná-lo estratégico no sentido de ser um fórum onde possamos discutir a interligação de diferentes iniciativas, de diferentes áreas de empreendimento, onde possamos planejar para o futuro, e onde possamos, por meio de diferentes iniciativas, reforçar toda a relação. Fazemos isso com base, penso eu, numa visão comum do mundo, o que o torna ainda mais forte, além dos interesses concretos, económicos e outros interesses que temos. Mas quando, que é o caso agora, temos uma visão comum, uma filosofia comum, por assim dizer, pode ser e deve ser ainda mais forte.

A política externa que estamos tentando construir no Brasil é baseada em princípios muito claros – o princípio da liberdade e da democracia, o princípio da soberania, o princípio da defesa de nossos valores e o princípio da abertura econômica e de uma economia de mercado – para realizar o que estamos tentando e pelo que o povo brasileiro votou quando elegeu o presidente Bolsonaro, um programa para o Brasil que seja mais atualizado com o mundo, que seja capaz de alavancar sua economia, para mudar um sistema que nos deu apenas estagnação e corrupção no passado.

E a nossa relação com os EUA é uma grande parte da concretização desses objetivos, dos princípios da política externa e do engajamento estrangeiro. Estamos vendo que concretamente, em muitos casos, no caso da Venezuela, por exemplo, onde estamos totalmente juntos no esforço para ajudar os venezuelanos a recuperar sua democracia. Estamos também vendo que o nosso engajamento econômico e comercial, que está avançando muito rapidamente e realmente respondendo às enormes expectativas de nosso setor privado e produtivo, estamos vendo, novamente, na área de segurança e defesa.

O status de um aliado prioritário extra-Otan que o Brasil tem agora com os Estados Unidos é imensamente importante para nós, e queremos tornar isso em passos concretos que reforçam o papel do Brasil na paz e segurança, segurança para os brasileiros. É uma prioridade para nosso povo viver em um ambiente seguro. Então tudo o que o povo brasileiro quer do nosso governo é possível alcançar em boa parte em cooperação com os EUA.

Além disso, vemos alguns sinais de ideias em todo mundo que questionam a soberania, que seria em um sentido de, no caso do Brasil, especificamente na Amazônia, que talvez nós não somos capazes de lidar com os desafios do meio-ambiente lá, isso não é verdade. E nossos amigos aqui nos EUA sabem que isso não é verdade, e queremos estar juntos no esforço para criar desenvolvimento para a região Amazônica, que estamos convencidos de que é a única maneira de realmente proteger a floresta. Por isso, precisamos de novas iniciativas, novas iniciativas produtivas que criem empregos, que criem receitas para as pessoas na Amazônia, e é aí que a nossa parceria com os EUA será muito importante para nós.

Por isso, temos uma agenda muito ambiciosa e estamos convencidos de que estamos a entregando. Muito obrigado.

Secretário POMPEO: Ótimo.Obrigado a todos.

 

Esta tradução é uma cortesia, para o texto oficial leia a versão em inglês.