Líder religioso brasileiro receberá prêmio do Departamento de Estado dos EUA por sua luta pela liberdade e tolerância religiosa

Carioca Ivanir dos Santos será um dos seis homenageados durante a segunda Cúpula Internacional pela Liberdade Religiosa

O babalaô (sacerdote do Candomblé) e fundador da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) do estado do Rio de Janeiro, Ivanir dos Santos, receberá do Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, o Prêmio Internacional de Liberdade Religiosa, em homenagem à sua longa e corajosa atuação em prol da liberdade e tolerância religiosa. O prêmio será entregue na segunda cúpula internacional pela liberdade religiosa (Ministerial to Advance Religious Freedom), que acontecerá em Washington D.C. a partir de amanhã, 16, até quinta-feira, 18. Conferida pela primeira vez, a homenagem é um reconhecimento a pessoas ou organizações que trabalham para proteger, promover e fomentar a liberdade de religião ou crença.

Nascido e criado na comunidade da Mangueira, Ivanir é largamente reconhecido por sua luta pelo fim da discriminação religiosa no Rio de Janeiro. Ativista e acadêmico, ele dedica sua vida a incentivar e facilitar o diálogo inter-religioso, combater a intolerância e criar mecanismos para proteger grupos em situação de vulnerabilidade, como as religiões afro-brasileiras, que são o principal alvo de discriminação e violência religiosa no país. Entre suas diversas iniciativas pela equidade de direitos está a criação, em 2008, da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, uma organização independente que reúne representantes de diferentes grupos religiosos, sociedade civil, polícia e Ministério Público para documentar casos de intolerância a prestar apoio a vítimas. Duas décadas antes, Ivanir liderou também a primeira “Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa”, que hoje acontece anualmente reunindo cerca de 50 mil pessoas das mais diversas religiões que clamam por diálogo, entendimento e tolerância.

A Cúpula Internacional pela Liberdade Religiosa em Washington receberá, pelo segundo ano, membros de comunidades religiosas, sociedade civil, ministros e representantes de organizações internacionais para compartilhar melhores práticas, aprender com a diversidade de experiências e propor caminhos para avançar rumo a essa liberdade fundamental.  Estudos acadêmicos continuam mostrando como a liberdade religiosa afeta uma nação: quando um povo está livre, o seu país ganha, a sua sociedade ganha, e as vidas das pessoas melhoram.

Fomentar a liberdade religiosa globalmente é um dos desafios do século 21 e uma prioridade da política externa norte-americana. O encarregado de Negócios da Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil, William Popp, afirma que os Estados Unidos jamais serão espectadores de qualquer tipo de opressão. “Cada pessoa no mundo deve ser livre para acreditar ou deixar de acreditar naquilo que desejar. Seremos sempre incansáveis na busca pelo exercício da liberdade de religião ou crença, que é um valor fundamental para os EUA e um direito humano universal”, explica.

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