Secretário de Estado dos EUA Michael R. Pompeo e Ministro das Relações Exteriores do Brasil Ernesto Araújo em coletiva de imprensa

Comentários à Imprensa
Michael R. Pompeo, secretário de Estado dos EUA
Ernesto Araújo, Ministro das Relações Exteriores do Brasil
Base Aérea Ala &
Boa Vista, Brasil
18 de setembro de 2020 

MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES ARAÚJO: Obrigado. Obrigado a todos. Obrigado pela presença aqui. Hoje é  uma alegria pra mim receber aqui em Boa Vista meu querido amigo, o secretário de Estado Mike Pompeo dos Estados Unidos da América.

Antes de mais nada, é uma alegria ter essa reunião aqui em Boa Vista, no Estado de Roraima – um estado querido e tão importante para a Federação Brasileira, que tem sofrido tantos desafios – e ver aqui pessoalmente os desafios do Estado. Para nós, vindos de Brasília, é extremamente importante. Estamo muito honrados também pela presença aqui do governador Antonio Denarium e do senador Chico Rodrigues, aqui de Roraima.

Essa visita permitiu que fôssemos visitar as instalações da Operação Acolhida aqui em Boa Vista, o Centro de Triagem e depois na Paróquia Nossa Senhora da Consolata. Essas visitas – eu já tinha conhecido a Operação Acolhida anteriormente – mas sempre renova. É primeira vez para o secretário Pompeo, faz brotar na gente um sentimento muito vivo e muito presente do sofrimento do povo venezuelano e da solidariedade que o povo brasileiro está prestando ao povo venezuelano.

Os venezuelanos são obrigados a sair de seu país devido à crise humanitária causada por um regime despótico e tirânico que não se preocupa com o bem de seu próprio povo e que deliberadamente cria as piores condições para a vida de seu próprio povo.

Então, nós trabalhamos sempre em duas frentes – tanto o Brasil quanto os Estados Unidos e quanto os outros países interessados em promover a democracia e a prosperidade no Continente – que é: procurar devolver a democracia à Venezuela para que a Venezuela volte a ter condições de ter um governo que se preocupe com seu povo e que proveja as condições de vida para seu povo; e, por outro lado, acolher os venezuelanos que se refugiam em outros países, que fogem desse regime para outros países.

Aqui, esta é um caso muito presente. Conversamos com alguns venezuelanos que estão aqui sendo interiorizados para outros estados do Brasil em muitos casos, muito gratos pela acolhida e, ao mesmo tempo, emocionados quando falam de seu país, quando falam da Venezuela, da degradação das condições de vida na Venezuela que os forçou a vir para cá, às vezes caminhando 250 ou mais quilômetros até chegar ao Brasil. Esse empenho da Operação Acolhida que ajuda nossos amigos venezuelanos conta, aqui no Brasil, com a colaboração dos Estados Unidos da América, através sobretudo de sua agência de cooperação, a USAID, que proporciona boa parte da cooperação internacional que vem para os refugiados venezuelanos, assim como outros países e organismos internacionais aos quais o Brasil é sempre muito grato.

Conversamos numa nova reunião depois da visita à Operação Acolhida, uma reunião muito produtiva, onde falamos, antes de tudo, sobre o tema da Venezuela. Eu acho que muitas pessoas gostariam que esse tema não estivesse mais tão presente na agenda, não é?

Às vezes, dá vontade de esquecer que existe uma ditadura na Venezuela que já expulsou mais de 15% de sua população fugindo das condições de vida lá, da falta de liberdade e da falta de comida. Mas, infelizmente, não pudemos deixar de falar sobre a Venezuela.

Um dia poderemos ter uma Venezuela – voltaremos certamente – a ter uma Venezuela novamente como um membro pleno da comunidade hemisférica das nações e da comunidade internacional como um país democrático e livre. Mas, no momento, precisamos falar da Venezuela que existe, que é um país dominado por um regime associado às piores facções criminosas, um regime que vive do tráfico, um regime que, de maneira cínica, ainda se apresenta com o nome de governo daquele país, mas que é simplesmente um esquema de extração de riquezas em benefício pessoal e com um projeto de simplesmente continuar destruindo esse país, que infelizmente era o projeto de certos grupos políticos para toda a região e contra o qual, no Brasil, nos insurgimos.

Então, nós nos preocupamos não só com a Venezuela, mas sempre com a possibilidade de volta deste tipo de projeto na região. É responsabilidade do Brasil, com países amigos, amigos da liberdade e da democracia, como é o caso dos Estados Unidos. Estamos sempre prontos para nos coordenar com os EUA para o bem de todo o Hemisfério. Então, queremos continuar trabalhando pelo bem da Venezuela.

Falamos desse recente relatório do Conselho de Direitos Humanos da ONU, um relatório que mostra a tragédia em que vive a Venezuela, que aponta que o Maduro e alguns de seus ministros cometeram crimes de lesa-humanidade, então não é um regime autoritário “comum”. É um regime terrível que precisa realmente desaparecer pelo bem dos venezuelanos, pelo bem do Hemisfério Americano e de todo o mundo. E temos certeza de que os próprios venezuelanos terão a capacidade de encontrar os caminhos, mas precisamos, toda a comunidade internacional, ajudar os venezuelanos para encontrar seu caminho da liberdade.

Além disso, falamos de vários outros temas da nossa agenda, e da agenda regional. Falamos das excelentes perspectivas da relação com outro vizinho daqui do estado de Roraima: a Guiana, que foi visitada também pelo secretário Mike Pompeo, que tem um novo governo. Ele está muito entusiasmado e o Brasil também está muito entusiasmado em trabalhar com o novo governo da Guiana. Estamos trabalhando, como os senhores sabem, na ligação rodoviária aqui de Roraima até Georgetown. Será uma mudança muito grande no paradigma econômico dessa região do Brasil e, certamente, um acesso, digamos, ao Caribe vai mudar completamente esse panorama.

Falamos também dos desafios da COVID, que está no mundo todo, e das nossas expectativas de recuperação econômica. O Brasil, como você sabe, está em um processo bastante acelerado, mais do que se imaginava, de recuperação econômica. Entre os países emergentes, é aquele que tem os melhores números diante da crise. E a parceria econômica com os Estados Unidos, para nós, é fundamental para essa retomada.

Falamos das boas perspectivas do comércio em função dos contatos frequentes e diálogos com o representante de Comércio dos EUA, sempre com grande apoio do Departamento de Estado e de todo o governo americano. Por que? Porque isso reflete… esse avanço no comércio reflete uma decisão dos presidentes e um novo espírito que os presidentes Bolsonaro e Trump colocaram na relação desde o encontro em Mar-a-Lago, em março – a criação de uma verdadeira parceria econômica entre o Brasil e os Estados Unidos. Continuamos trabalhando com afinco nisso, e o Secretário Mike Pompeo tem sido absolutamente decisivo para que implementemos essa vontade dos presidentes. Eu queria agradecer a colaboração e o trabalho conjunto com o Secretário Mike Pompeo neste sentido.

Queria mencionar ainda a perspectiva de continuarmos trabalhando na questão ambiental, que é algo que nos interessa evidentemente aqui nesta região, na Região Amazônica. As nossas conversações bilaterais sobre cooperação nesta área continuam. O Brasil continua com a sua política ambiental que nós consideramos absolutamente sólida, absolutamente capaz de proteger a Amazônia, de garantir o desenvolvimento sustentável da Amazônia dentro de nossa soberania. E, para isso, precisamos inclusive de investimentos sustentáveis nesta região. Temos certeza de que os Estados Unidos podem ser um parceiro fundamental nesses investimentos sustentáveis para a Amazônia.

Bem, estes são apenas alguns dos tema que nós tratamos. Quero deixar a palavra ao Secretário Mike Pompeo.

SECRETÁRIO POMPEO: Boa noite, a todos. Eu estive – eu estive pela última vez no Brasil para a posse do presidente Bolsonaro há quase dois anos – difícil de acreditar. É ótimo estar de volta a este belo país e em Boa Vista hoje com outro parceiro forte dos Estados Unidos, o Ministro das Relações Exteriores Araújo. Muito obrigado por terem se juntado a mim aqui. O Brasil comemorou seu 198º aniversário de independência há apenas 11 dias. Parabéns. Estou orgulhoso de que os Estados Unidos sob o presidente Monroe tenha sido a primeira nação a reconhecer essa Independência em 1822. Desde nossa fundação até a sua, vimos um espírito de parentesco no Brasil.

Vimos isso novamente hoje. O espírito de boa vontade e valores compartilhados continua. O Ministro das Relações Exteriores e eu concordamos que as duas maiores democracias e economias do Hemisfério Ocidental são forças poderosas para o bem quando trabalhamos juntos. Nossa parceria é especialmente necessária à medida que superamos a pandemia da COVID-19. A USAID concluiu recentemente a doação de 1.000 ventiladores para o Brasil. Nosso governo se comprometeu com cerca de 13,8 milhões de dólares em ajuda pandêmica até o momento e nosso setor privado prometeu cerca de 55 milhões de dólares. Estamos orgulhosos de fazer este trabalho ao lado de um amigo e de uma nação amiga.

Estou em Boa Vista porque estamos trabalhando juntos para ajudar o povo venezuelano a superar a crise humanitária provocada pelo ilegítimo regime de Maduro. Ministro das Relações Exteriores, a compaixão e o apoio de seu governo pela liberdade nesta área é verdadeiramente um modelo para todo o hemisfério. Você deu abrigo a cerca de 265.000 venezuelanos que estão profundamente necessitados. Obrigado por isso. Encontrei-me com alguns desses indivíduos. Alguns de vocês puderam se juntar a nós. Foi em um centro de acolhimento de migrantes e refugiados. Falamos com um punhado deles. Eles querem o que todos os seres humanos querem: dignidade. Eles querem uma Venezuela democrática, pacífica e soberana para chamar de lar, uma Venezuela onde eles e seus filhos possam encontrar emprego e viver com essa dignidade. Nós, os Estados Unidos e o Brasil, os apoiamos.

Até hoje, meu governo forneceu cerca de 50 milhões de dólares em ajuda humanitária para esta causa, principalmente aqui neste estado. Esses fundos têm fornecido água potável segura, como vi em uma ONG patrocinada pela USAID hoje cedo. Eles também proporcionaram comida e empregos para milhares de brasileiros e venezuelanos, e tenho o prazer de anunciar hoje um adicional de US$348 milhões em assistência humanitária para ajudar os venezuelanos que fugiram da brutalidade de Maduro, incluindo US$30 milhões em apoio às generosas comunidades anfitriãs aqui no Brasil. Isto eleva a assistência total dos Estados Unidos para a resposta à crise venezuelana a pouco mais de US$ 1,2 bilhão desde 2017.

Na frente econômica, em março passado, o presidente Trump e o presidente Bolsonaro estabeleceram o Fórum de Energia EUA-Brasil. A primeira reunião ministerial foi realizada no Rio de Janeiro, em fevereiro. Estou orgulhoso que empresas americanas como ExxonMobil e Chevron estejam investindo aqui e que o Brasil seja um parceiro tão forte. Parabéns por ter se tornado um dos maiores exportadores de petróleo do mundo. Também é com satisfação que verifico que também estamos iniciando uma nova cooperação técnica com o Brasil para apoiar o desenvolvimento mineral de recursos energéticos e a boa governança nesse setor.

Além disso, há apenas uma semana e meia, há 10 dias, nossos dois países realizaram a primeira reunião do grupo de trabalho no âmbito do Memorando de Entendimento para o Crescimento nas Américas. O que estamos fazendo lá é bastante simples. Estamos incentivando o investimento do setor privado em infraestrutura e energia, transporte, telecomunicações. O Fórum de CEOs EUA-Brasil em menos de duas semanas recomendará maneiras de aprofundar ainda mais nosso comércio e investimento bilateral. Portanto, estamos inscritos; todos de ambos os lados querem fazer parte desta enorme oportunidade. Estou entusiasmado com isso.

Olhando para outubro, não muito distante, estamos lançando um diálogo de parceria ambiental. Aqui, na Amazônia, vemos a generosidade da criação de Deus. Com este diálogo, compartilharemos as melhores práticas e mostraremos ao mundo como podemos desenvolver nossas economias e, ao mesmo tempo, proteger nossos ecossistemas. Isto pode ser feito.

Finalmente, o Ministro das Relações Exteriores e eu também discutimos a segurança nacional e a importância de manter as futuras redes do Brasil a salvo do Partido Comunista Chinês.

Vou terminar com uma nota pessoal agradecendo novamente ao Ministro das Relações Exteriores por ser um parceiro tão indispensável para os Estados Unidos. Sou grato por sua hospitalidade e por sua liderança, e pela do presidente Bolsonaro. Obrigado.

MODERADOR: Vamos dar início à nossa sessão de perguntas. A primeira pergunta será feita pelo Sr. Thiago Nolasco da Record TV.

PERGUNTA: [inaudível]

POMPEO SECRETÁRIO: Sinto muito, não consigo ouvi-lo.

PERGUNTA: Primeiro, eu gostaria de falar, fazer uma pergunta ao Ministro Ernesto Araújo e depois ao Secretário Pompeo. Primeiro para o Ministro Araújo: a parceria entre o Brasil e os Estados Unidos nessas áreas tem sido crescente, e eu percebi que o Brasil tem feito concessões aos Estados Unidos. Dá pra citar a questão do etanol e a questão da presidência do Banco Interamericano. Eu gostaria de saber do senhor: o que o Brasil quer em contrapartida? Que tipo de apoio que o governo brasileiro espera receber do governo dos Estados Unidos em contrapartida?

E, para o secretário de Estado Pompeo: eu gostaria de saber como está a situação nesse momento em relação à Venezuela. O uso da força militar continua descartado ou não?

MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES ARAUJO: Obrigado, Thiago. A relação que estamos construindo com os Estados Unidos é uma relação de longo prazo. É uma relação extremamente diversificada, como mostra inclusive a qualidade da reunião que nós tivemos, sobre a qual falamos aqui. Então, determinados movimentos existem de parte a parte, no sentido positivo. A ideia de que são concessões, eu não acho que se deva ver desta maneira, porque concessão parece uma coisa estática e, na verdade, o que nós temos é uma realidade dinâmica. Então, dentro do setor de etanol e açúcar, por exemplo, o que nós fizemos foi estender uma cota para o etanol americano no Brasil para começar o processo de negociação nos próximos três meses e, se tudo der certo, e eu tenho certeza de que dará, levará a novas oportunidades também para o setor alcooleiro do Brasil nos Estados Unidos.

Em relação à presidência do BID, o que nós precisamos é de um BID atuante, um BID que esteja comprometido não só com a própria solidez financeira do Banco, mas trabalhar pelo desenvolvimento, pela liberdade da democracia e a prosperidade das Américas, trazendo investimentos, trazendo novos projetos. E temos certeza de que aí independe de ser um candidato brasileiro, americano ou de qualquer outro país. O importante é a convergência que temos em termos da concepção sobre o BID. Tenho certeza que, assim como um candidato brasileiro certamente seria capaz de entregar estes avanços, também o candidato americano, no caso, o vitorioso Mauricio Claver-Carone, um amigo nosso, certamente será capaz de fazer isso. Portanto, a questão não é a nacionalidade, mas o programa, que será bom para o Brasil certamente, para dar mais investimentos e dar mais oportunidades para o Brasil, inclusive aqui para a Região Amazônica.

Em termos desta relação também, eu acho que os números aqui apresentados pelo Secretário Pompeo em termos das doações aqui para a Operação “Acolhida”, são impressionantes, porque, se eu os somei bem aqui, com as novas doações – que o governo brasileiro agradece muito – o apoio americano já soma 80 milhões de dólares, numa operação que, para o Brasil, custou 400 milhões nos últimos dois anos. Então, você vê que são 20% disso representados pela doação americana… pelo conjunto das doações americanas, o que é extremamente significativo e mostra o comprometimento na prática desta parceria Brasil-EUA com soluções para nossas situações.

Bem, eu queria acrescentar também que somos gratos pelas doações durante a pandemia, de respiradores e outros itens pelo Governo dos EUA.

E esta parceria, como eu dizia, ela não deve ser vista simplesmente do ponto de vista do imediato. É uma parceria que está fazendo a diferença para o Brasil, e certamente vai fazer ainda mais, e para o mundo. Isto, eu acho que o fundamental. Nós também discutimos, temos falado muito, o Secretário Pompeo e eu, sobre nossa responsabilidade, do Brasil e dos Estados Unidos, de defendermos nossos valores democráticos num mundo pós-COVID. Isto é algo que temos fala em conferências com outros ministros. E acho que hoje os Estados Unidos e o Brasil têm uma liderança nesta discussão. E que em um mundo pós-COVID não devemos, digamos, questionar a globalização, mas precisamos de uma globalização que seja uma globalização baseada na democracia e na liberdade. Esta é uma visão que compartilho com o Secretário de Estado, e uma visão que portanto não é apenas da nossa relação bilateral, mas do papel que podemos ter no mundo.

SECRETÁRIO POMPEO: Portanto, quero dar seguimento ao que Ernesto disse. Você poderia olhar para qualquer ponto do caminho, olhar para qualquer elemento em particular e dizer, rapaz, o que recebemos em troca? Não é assim que nossos dois países pensam sobre isso. Isto é um relacionamento, não um espaço transacional. Não se trata de fazermos X e você fará Y. Trata-se de parceiros que trabalham juntos para construir suas economias em conjunto, para juntos recuar contra as ameaças aos nossos países de maneira igualitária. Haverá dias em que os Estados Unidos farão coisas e você não poderá identificar a coisa contrária que o Brasil fez pelos Estados Unidos e vice-versa – os amigos não trabalham dessa maneira. Eles não contam com o que (inaudível) vêem em qualquer transação em particular. O que eles olham é a direção da marcha. Como os dois países estão trabalhando juntos para tornar a vida melhor para cada um de seus dois povos? E o que tenho observado entre nossas duas administrações, as administrações Bolsonaro e Trump, a cada dia estamos trabalhando como ministros das Relações Exteriores, como comerciantes, nossas forças armadas, todos os elementos do poder começando a encontrar formas comuns de garantir que tenhamos segurança conjunta, prosperidade econômica conjunta, e que a vida de nosso povo esteja melhor como resultado do trabalho que fazemos juntos.

Portanto, não é – a abordagem correta não é olhar para uma coisa em particular, mas sim olhar para todo o relacionamento. E acho que é inconfundível que o povo brasileiro e o povo americano estão melhor como resultado do trabalho que realizamos juntos.

E sua segunda pergunta foi para mim com respeito a – se entendi bem a pergunta, foi sobre o uso da força militar na Venezuela.

PERGUNTA: Sim.

SECRETÁRIO POMPEO: É isso mesmo? O presidente Trump tem sido inequívoco. Nossa missão é fazer com que o povo venezuelano tenha a democracia que o povo do Brasil desfruta. Eu estava no Suriname e depois na Guiana. Vi duas nações agora realizarem eleições onde foram livres, abertas e transparentes e chegaram ao resultado certo, sendo o resultado certo a vontade do povo desses dois países. Estamos ansiosos pelo dia em que o povo venezuelano terá a oportunidade de fazer isso. Essa não vai ser a eleição falsa que Maduro vai realizar daqui apenas alguns meses. Isso não será remotamente livre, não será remotamente justo; será uma eleição completamente manipulada que não representará remotamente o povo venezuelano, muitos dos quais – muitos dos quais tiveram que fugir de seu país. Hoje vimos um punhado deles. A nenhuma dessas pessoas será dada a oportunidade de expressar seus desejos, muito menos ao povo dentro da Venezuela sendo adequadamente refletido.

Portanto, quanto ao que os Estados Unidos farão, trabalharemos para continuar a construir nossa coalizão. Continuaremos a negar os recursos do regime, o dinheiro, as ferramentas da opressão. Continuaremos a comunicar as violações dos direitos humanos. Vamos falar sobre os valores estabelecidos. Acho que Ernesto foi muito articulado falando sobre o relatório da ONU desta semana passada que falou sobre a desumanidade do regime de Maduro, a crueldade que está sendo demonstrada, a brutalidade que este narcoterrorista que nominalmente se autoproclama o líder deste povo.

As pessoas com quem falei hoje, os venezuelanos que estão aqui no Brasil e com quem falei hoje, estavam desesperados para voltar. Eles estão aqui no Brasil; eles estão emocionados por os brasileiros terem tomado tão bem conta deles, mas muito como o povo que vi em Cucuta, Colômbia, há meses atrás, eles querem retornar à sua terra natal, ao lugar que amam, ao lugar que conhecem. E eles estão orgulhosos do que o Brasil e os Estados Unidos e tantos parceiros de coalizão estão fazendo para aumentar a probabilidade de que eles possam fazer isso mais cedo ou mais tarde.

MODERADOR: Obrigado. Para nossa segunda pergunta, vamos ao Shaun Tandon.

PERGUNTA: Olá. Obrigado, Sr. Secretário.

SECRETÁRIO POMPEO: Olá, Shaun.

PERGUNTA: Obrigado, Sr. Ministro das Relações Exteriores. Eu queria continuar com a Venezuela. O senhor mencionou o (inaudível) do regime de Maduro. Mas quanta confiança o senhor tem atualmente em Juan Guaidó? O senhor o descreveu como um líder legítimo. O senhor acha que isto é realista, que o regime de Maduro vai cair em algum momento no futuro próximo? Já se passou mais de um ano e meio desde então (inaudível).

E algumas coisas específicas sobre a Venezuela. Sr. secretário, tem havido relatos de que há mais petroleiros iranianos a caminho da Venezuela. O que os Estados Unidos, se algo, planeja fazer neste caso?

E a ambos, o senhor falou sobre a generosidade para com os venezuelanos. O senhor acha que há algum problema com a forma de tratar os venezuelanos que estão de fato nos países? A fronteira está atualmente fechada, se bem entendi, entre o Brasil e a Venezuela. Os venezuelanos nos Estados Unidos têm pedido (inaudível) um status de proteção temporária. Há mais (inaudível) que possa realmente fazer mais pelos venezuelanos (inaudível)?

Obrigado.

SECRETÁRIO POMPEO: Obrigado. Deixe-me tentar respondê-las. Acho que contei quatro perguntas. Portanto, a pergunta de quando Maduro partirá só pode ser respondida no dia em que ele partir. Se você se lembra, líderes da Alemanha Oriental e Romênia, da União Soviética – todos fizeram a difícil pergunta, dizendo quando – quando a política da democracia e dos direitos humanos, o amor à liberdade, o valor da propriedade, os direitos de propriedade – todas as coisas que o Ocidente tem em comum – quando funcionará? Quando irá desalojar este tirano? E ninguém poderia escolher o dia. O dia chegará.

Nós também – os Estados Unidos também indiciaram Nicolás Maduro por tráfico de drogas. Não devemos esquecer que ele não é apenas um líder que destruiu seu próprio país, uma crise provocada pelo homem das mais extraordinárias proporções da história moderna, ele também é um traficante de drogas, transitando drogas ilícitas para os Estados Unidos com impacto sobre os americanos, todos os dias. Portanto, nossa vontade é consistente, nosso trabalho será incansável e chegaremos ao lugar certo. Haverá um lugar certo para a Amárica, haverá um lugar certo para o Brasil, mas o mais importante, haverá um lugar certo  para o povo venezuelano.

Qual foi a segunda pergunta?

PERGUNTA: Os petroleiros iranianos.

SECRETÁRIO POMPEO: Sim. Acredito que fizemos o melhor que pudemos para usar cada ferramenta em nossa caixa de ferramentas para negar ao regime a capacidade de criar riqueza e continuar seus pagamentos aos militares para conduzir a campanha de terror dentro de seu próprio país. Estamos atentos ao que eles estão fazendo. Não vou me antecipar a nenhuma decisão que possamos ou não tomar. Mas como eu acho que o mundo já viu, impedimos a entrada de remessas anteriores na Venezuela, e fazemos o nosso melhor para rastrear cada uma delas e negamos a tantos deles a capacidade de criar riqueza para Nicolás Maduro e seus bandidos.

Você quer responder à segunda – a última pergunta sobre as pessoas aqui e como elas estão sendo cuidadas?

MINISTRO ESTRANGEIRO ARAUJO: Claro. Sim, acho que todos que visitam aqui na operação de boas-vindas e quem conhece a realidade sabe que não só o governo brasileiro e tantas agências com ajuda internacional, incluindo os EUA. ajuda – tudo que está sendo feito por eles pela agência – mas também a forma como o próprio povo brasileiro está recebendo seus irmãos e irmãs venezuelanos, não só aqui mas em todo o país com o processo que chamamos de internalização, que é ajudar essas pessoas – não só enviá-las para outros estados, mas também para encontrar empregos e encontrar meios de subsistência para eles e suas famílias. Portanto, este é um processo que está enraizado na personalidade brasileira – solidariedade e cuidado com as outras pessoas e profundo respeito. Ao mesmo tempo, uma crescente preocupação no Brasil sobre o que está acontecendo lá, e assim nossa solidariedade toma a forma de receber venezuelanos, mas também de pressionar para criar pressão para o fim da tirania e da ditadura lá.

Portanto, a questão do fechamento das fronteiras, a questão é que o regime de Maduro não pode fornecer nenhuma quantidade de cuidados de saúde à sua própria população, de modo que temos que proteger também nossa situação sanitária aqui com relação à pandemia da COVID. Por isso, basicamente, não achamos possível abrir a fronteira agora porque não há luta contra a COVID do outro lado da fronteira, em termos dos destroços que Maduro fez com seu país e com os serviços na Venezuela. Mas acho que a solidariedade que temos e que sentimos é comprovada por tudo o que você vê aqui em Boa Vista, Pacaraima, através da fronteira, e em todo o país.

SECRETÁRIO POMPEO: Se me permitem, vocês me lembraram que havia outra pergunta que fizeram sobre Juan Guaidó e nosso contínuo apoio a ele. Não quero deixar isso em aberto. Nós continuamos a apoiá-lo; a coalizão continua a apoiá-lo. Ele é de fato o líder devidamente eleito daquele país. E enquanto ele for o líder devidamente eleito, ele é a pessoa apropriada para que os Estados Unidos, e pensamos que todos os países, o reconheçam como o líder daquela nação. Estamos fazendo tudo que podemos para ajudar aquelas forças que querem restabelecer a democracia, que querem restabelecer o Estado de direito, para fazer as coisas básicas para cuidar de seu próprio povo, para ter os recursos e capacidades para fazê-lo hoje. Juan Guaidó está liderando esse esforço. Os Estados Unidos continuam a apoiar seus esforços nesse sentido.

MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES ARAÚJO: Se me permitem complementar sobre o presidente Guaidó, acho que apoiamos Juan Guaidó, e apoiar Guaidó não é apenas apoiar um líder muito corajoso e capaz, mas também apoiar os direitos sobre a força, porque o que você tem em Guaidó é um líder constitucional. Ele foi declarado líder da Venezuela, o presidente interino pela Assembleia Nacional legitimamente eleita seguindo a Constituição Bolivariana, de acordo com decisões da Suprema Corte legítima, cujos membros tiveram que fugir do país, mas que ainda são a Suprema Corte legítima – fugiram do país para não serem mortos – por isso está certo. Essa é a pura força do direito, certo?

Do outro lado você tem a milícia. Você tem forças armadas que ainda apoiam Maduro. Mas para todos no mundo inteiro que apoiam o valor da lei, o valor do direito, o valor da constituição de um país sobre a pura força, Guaidó é o líder da Venezuela. Portanto, estamos muito satisfeitos por ele estar lá. Eu pessoalmente admiro muito Juan Guaidó, e o Brasil apoia o Guaidó, é claro.

PERGUNTA: Ministro Ernesto, gostaria que o senhor falasse sobre essa questão do Guaidó também em português.

MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES ARAÚJO: Vou repetir em português. Vou repetir sobre esta questão que fui perguntado: sobre se continuamos a apoiar o presidente Juan Guaidó da Venezuela. Eu garanti que sim. O Brasil o apoia, porque apoiar Juan Guaidó é, não apenas apoiar um jovem líder corajoso e legítimo em seu país, mas é apoiar o direito contra a força. Juan Guaidó se tornou presidente da Venezuela, presidente encarregado, em função da Constituição Venezuelana, em função da Assembleia Nacional legitimamente eleita da Venezuela e por decisões, em função de decisões da Suprema Corte legítima da Venezuela, cujos membros tiveram que fugir do país para não serem mortos, mas que são a corte suprema legítima da Venezuela. Então, isso é a figura do direito.

Do outro lado, você tem o regime com suas milícias, com suas armas, com seu poder de fogo, digamos assim. Mas então, pra qualquer pessoa do mundo que preza o direito por cima da força bruta, o apoio a Guaidó é imperativo e o Brasil certamente apoia o presidente encarregado Juan Guaidó.

MODERADOR: Muito obrigado a todos. Está encerrada a sessão de imprensa.